
Ruy Mingas/// Ruy Mingas é sem dúvida um dos grandes nomes da música angolana e o álbum “Memória” (2008) é a prova disso. Unindo o calor e a cor do Semba à sofisticação e frescura do Jazz, Ruy Mingas canta uma Angola escrita nos anos 60 e 70 por diversos poetas do país. Mingas nunca se dedicou à música profissionalmente. Com somente dois álbuns editados, uniu com maestria a poesia à música, emprestando a sua voz e a sua musicalidade jazzistica às palavras de célebres poetas angolanos. Como o próprio nome sugere, neste disco o cantor revive alguns dos temas que o consagraram nos anos 60 e 70, altura em que Angola ainda era uma colónia portuguesa. Nessa época, Mingas chegou mesmo a ser o cantor oficial da Casa dos Estudantes do Império em Lisboa, de onde saíram alguns dos nacionalistas da “Geração da Utopia”que lutaram pela independência deste país africano. Anos depois, o músico partilhou a autoria do hino nacional angolano com o escritor Manuel Rui. Em “Memória” volta a gravar alguns desses temas como “Namoro” e “Makezu” de Viriato da Cruz, “Benguela” e “Pé de Maracujá” de Ernesto Lara Filho, “Meu Amor” e “Meninos do Huambo” de Manuel Rui Monteiro e também "Adeus à hora da largada" e "A Kitandeira" de Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola. Com temas clássicos recuperados das raizes da música e da história recente deste país, “Memória” vem realmente lembrar que Angola não soa só aos ritmos alucinantes do Kuduro de Luanda.
[Aline Frazão]