A salsa se tornou um dos muitos estilos sem patria como o jazz ou a pop. A música tão popular e difundida por mais de 50 anos que nenhum país (mesmo Cuba ou Colômbia) pode afirmar que a possui em propiedade, embora seja uma parte essencial do seu rico património. Foi a salsa em meados do século passado pela sua fusão sensual e saborosa entre África e as tradições europeias, o primeiro estilo de impacto global que emergiu fora do Ocidente, o precursor do que mais tarde veio a saber (embora não gostamos da expressão) como "músicas do mundo"? O fato é que embora seja uma veterana entre os géneros e etiquetas da world music, a salsa continua a gozar de boa saúde e aceitação (cada vez mais também entre os jovens), embora há já algumas décadas, perdeu sua hegemonia nas pistas de dança de meio mundo.Identificada especialmente com o continente latino-americano, o fato é que hoje em dia por causa da emigração, as viagens e as comunicações há grandes executores da salsa em cidades tão díspares como Dakar, Hong Kong, Paris, Helsínquia ou Cotonou, até onde chegamos este mês para apresentar a um artista que não tem nada a invejar a qualquer “salsero” das Caraibas. De Benin chega esta trombonista e cantor, ao mesmo tempo intérprete, compositor e arranjador, para adoçar as ondas de groovalizacion com salsas cantadas em fono, francês, dioula, espanhol ou ioruba como mostra do versátil e universal de este género (embora há também certas doses do reggae, do son cubano ou da tradição mandinga). A carreira musical de Michel Pinheiro está fortemente influenciada pela sua colaboração com dois grandes nomes da Costa do Marfim, primeiro por Mamadou Doumbia, que o fez abandonar a guitarra pelo trombone, e Tiken Jah Fakoly, de quem tem sido por mais de 10 anos chefe de orquestra. Letras críticas que falam do sida, a malária, a importância de desenvolver a agricultura, a incompetência dos líderes na África, o regresso da diáspora e, especialmente, os intelectuais... sempre os mesmos problemas, embora passaram 50 anos desde a descolonização.
Alguns dizem que as percussões (tais como a música ea humanidade, é claro) nasceram e foram criados na África, tornaram-se adultas na Índia e tem envelhecido no Ocidente por causa da eletrônica. Brincadeiras à parte ou exageros, a verdade é que, com a presença de artistas como Trilok Gurtu, é dado um bom lifting para suavizar rugas e tintura de cabelos grisalhos que os beats digitais, ocasionalmente, introducem neste variado organismo ritmico chamado percussão.Nascido em Bombaim no início dos anos 50, com apenas 6 anos començou a tocar a tabla e logo após, seu pai, cansado de ver o pequeno Trilok a martelar a mesa de jantar como um tambor, convenceu sua mãe, uma famosa cantora clàssica, para que tocase no grupo dela. Depois foi para a Europa para continuar sua formação e acompanhar durante 4 anos o guitarrista John McLaughlin (a que no seu último disco dedicada-lhe a canção Kurukshetra), começou em 1988, sua carreira pessoal (mas não sozinho) que lhe permitiu continuar colaborações com músicos de todo o mundo, enquanto explorar as fussões dos ritmos indinaos, o jazz e a música do oeste africano, o que o tém convertido numa referência dos chamados criadores do global. Mais de 20 anos depois e uma dezena de álbuns, este mês nossa programação recupera algumas das composições essenciais de este verdadeiro equilibrista do ritmo, quem em seus álbuns recentes, contou com a presença de figuras tão díspares como Huun Huur Tu , vindos de Tuva com o seu vairiado canto de garganta, Arkè String Quartet, inovador quarteto de corda italiano, ou The Frikyiwa Family, com quem explorou a relação entre a Índia e a África Ocidental. Dedicamos especial atenção ao seu mais recente álbum, "Massical" jogo de palavras entre "mass" e "clássical", em referência à vocação universal e democrática de sua música, culta mas popular, não feita para as elites, senão para o povo. Capaz de tocar mais de 30 instrumentos diferentes, e de obter sons mesmo da agua, o som místico e espiritual de este criador está inspirado por um sentimento de universalidade que nos ensina, neste mundo cada vez mais fanático e intolerante, que mais além de dogmas ou teologia separatista, a música vai ser de novo a verdadeira religião universal do terceiro milênio.
Ti-Coca & Wanga-Nègès
Mais de 30 anos passaram já desde que em 1976 o cantor David Mettelus (aka Ti-Coca) reunisse a um grupo de músicos provenientes do konpa (gênero haitiano por excelência fusão de tradições africanas e européias) e lhes propusesse deixar seus instrumentos elétricos para recuperar a herança dos trovadores confeccionando um grupo com banjo, acordeom, tambor, graj (cilindro metálico estriado que se toca com um palito), maracás e manoumba (caixa de madeira com lâminas metálicas que se fazem vibrar para servir de baixo). Em Haiti perdurou durante muito tempo a herança dos trovadores europeus, itinerantes e semi-rurais quem aos ritmos e instrumentos do velho continente agregam influências cubanas (son e bolero) onde muitos emigram como trabalhadores temporários, mas também do vodú, o merengue e a konpa haitiana. Pequenos conjuntos acústicos cujas composições são a crônica agridoce da vida na ilha, e que tocam em festas patronais, praias, restaurantes e festas privadas. Consciente do perigo de ver a tradição ameaçada, Ti-Coca recuperou junto a sua banda Wanga-Nègès a essência destes cronistas errantes escrevendo um novo capítulo de sua discografía em 2009 com a publicação de "Haiti Colibri", um de seus temas “Simbo Dlo” soa neste mês entre nossos charts como uma pequena homenagem a esta ilha de história convulsa e desolada depois do terremoto, onde esperamos que volte a esperança e a alegria graças à solidariedade internacional e a sua boa música.
Faz já alguns anos que o mundo do afrobeat está em plena efervescência. Grupos emergem por todas partes e este estilo se populariza nos palcos do mundo inteiro. O desaparecimento de Fela Kuti em 1997 não deu fim a esta música festiva e reivindicadora, todo o contrario. The Black President deve ser muito feliz de ver a música que personificava crescer hoje em todas direcções. Em França, uma banda se destacou : Fanga. O grupo nasceu do encontro entre Serge Amiano, produtor de hip hop, e o rapper de origem burkinabé Korbo. Incorporaram-se depois músicos com influências diversas para dar a luz à formação actual. A banda de Montpellier inspira-se do ritmo e do espírito afrobeat mas alimenta-o também com o funk, o jazz e o hip hop. Seu novo álbum, Sira Ba, estreado no final de 2009, esta carregado mais que nunca de sonoridades mandingues e de funk. Sem querer dar lições, Korbo tenta acordar as consciências no meio de um cocktail de energias positivas. Sua " escritura um pouco negra que influi sobre as cores ", em dioulas e em inglês, prega a justiça social e o direito à diferença. Preocupa-se também pelos fundamentos de nossa existência. O tema Dounia é a ilustração, oferecendo-lhe uma homenagem magnífica à Mãe Terra. Reforçado por colaborações eficazes com Tony Allen, Kady Diarra, Mike Ladd e Segun Damisa no álbum Natural Juice, publicado em 2007, Fanga convida agora ao jamaicano Winston Mac Anuff neste terceiro trabalho. ¡E para terminar lucidamente o álbum, a participação de Togo All Stars mergulha-nos alegremente na África dos grandes grooves! Fanga inflama actualmente as cenas de França e de Europa com sua força de convicção, seu talento e seu bom humor. ¡A não perder! Entrevista (em espanhol): Groovalizacion tuvo la suerte de encontrar a Korbo en el barrio Figuerolles de Montpellier, por la tierra del grupo. Extractos de esta entrevista del 22 de enero de 2010. ¿ Que representa para ti el afrobeat ? Para descubrir el afrobeat, hay que buscar por internet, escuchar, conocer su historia, porque lo que yo voy a decir sobre el afrobeat es mi resentimiento, es algo subjectivo. Para mí es una música de trance, una música que genera emociones, que pone a la gente en un cierto estado. Es una música fuerte políticamente, que permite difundir mensajes. Para mí la música más fuerte es la que habla al pueblo, la que habla a un máximo de personas. Ha sido creada por Fela Kuti gracias a todas las experiencias que vivió a lo largo de su vida: el aprendizaje del jazz en Inglaterra, en los Estados Unidos, la mezcla con el estilo africano y el juju music del que fue muy ferviente músico también. Las músicas se definen por supuesto también por su beat. De paso te digo que fue Tony Allen quien creó la rítmica afrobeat y Fela quien la trascendió con toda la dimensión que añadió : el alma, el mensaje también. ¿ Cómo se formó Fanga ? Fanga comenzó con dos personas. Serge Amiano era compositor de hip hop. Yo estaba en el hip hop también al principio. Tenía ganas de mezclar el hip hop con la música afrobeat. Pero esta música con maquinas nos pareció un poco limitada en el escenario y queríamos liberar la energía. Entonces llamamos a músicos que conocíamos. Después de algunas idas y vueltas de músicos, la formación actual es más o menos la misma que al principio. ¿ Que significa "Fanga" ? Fanga, es " la fuerza " en dioula. Quería describir una fuerza que llegaba, que iba a entrar en el movimiento musical. ¡Es muy presuntuoso lo que digo allí, pero si no somos preuntuoso, no avanzamos! (Risas) La fuerza, es posiblemente también lo que falta en este mundo para cambiarlo, porque las voluntades quedan suavizadas. ¡ La fuerza de ser valiente, de tener ganas, de decirse que las cosas no se hacen solas, y que hay que sudar a veces! ¿ Que mensajes quieres trasmitir ? ¿ En el tema " Dounia " por ejemplo ? Mis textos hablan de lo que pasa alrededor de nosotros, del mundo el que vivimos. No tengo ganas de atarme un país, creo que cada uno hoy en día es muy consciente que se estamos en el mismo barco, que caminamos todos sobre la misma tierra, que las fronteras cambian nada. Debemos todos ayudarnos y soportarnos también. Esto forma parte de los mensajes que envío en mis letras. Dounia es una palabra dioula que designa la tierra y que también se utiliza en muchas culturas y tribus en el mundo. En esta cancion, quise crear una especie de caos, en el que los hombres piden disculpas por lo que hacen a la tierra y también la agradecen. Creo mucho en la energía, esta energía que se transmite a través de la tierra, que se recupera a través de las moléculas. Morimos, desaparecemos, y estas mismas moléculas son utilizadas por las plantas, los animales … Tengo la convicción que tenemos en nuestros cuerpos a pedacitos de vidas que ya existieron. Es mágico, no necesito creer en un Dios. ¿ Puedes hablarme del último álbum " Sira Ba ", de la evolución con relación a los precedentes? Sira Ba quiere decir “el gran camino “ en bambara, el que cada uno sigue para su vida, cada día, este gran camino que hay que reforzar, hacer crecer. En este álbum quisimos crear temas y llevarlos hasta el final. Para los álbumes precedentes, teníamos prisa por el tiempo, el timing, nos poníamos fechas límites y esto nos gustaba. Serge me había dicho que cada músico necesitaba, en un momento de su vida, hacer clichés. Si no, no puede darse la vuelta para saber hacia dónde va. Pues hacíamos clichés, sistemáticamente, lugares comunes crudos. Allí en este último álbum, nos tomamos un tiempo para hacer estos clichés y para retocarlos después, para finalizarlos más en detalle. Le abrimos una parte más grande a la interpretación de los músicos, sus composiciones. Realmente es esta etapa que cambió en relación a los precedentes. Musicalmente también esto cambió. Lógicamente en diez años evolucionamos. La música se funkyzó un poco, hay un poco más melodías mandingues que vienen de mi país… ¿ Hay una participación de Winston Mc Annuf sobre " I go without you ", cómo se pasó este encuentro ? Adoro este artista. Sobre el escenario suelta una energía impresionante, una aura... Lo habíamos cruzado en un programa de la televisión nacional y lo vi muy fuerte. Me puse en contacto con él, explicándole el tema del álbum y estaba totalmente de acuerdo. Al final lo llevamos aquí para una sesión de grabación. ¡Pensaba que habría escrito antes, pero no lo había hecho! Almorzamos juntos, me cuestionó a fondo sobre el tema y comenzó a escribir. Una hora después estaba en el estudio. "Record everything " y ya estaba lanzado (risas)... Una buena alma y un gran artista que me hizo crecer. ¿ Habían tocado con Tony Allen también ? Sí, fue un gran placer tener el creador del afrobeat sobre nuestro álbum Natural Juice. Lo conocimos cerca de Pezenas (Francia). Salimos de fiesta con el con él y hablamos sobre afrobeat y política africana. Tocamos muchas veces juntos, es muy abierto. De hecho, cada vez que subimos a París, todo queda más cercano, hay Oghene Kologbo, un antiguo guitarrista de Fela, "Show Boy" su antiguo saxofonista, y está lleno de gente así, percusionistas también … Por otra parte Segun Damisa, el antiguo percusionista de Fela y de Femi, salió también en Natural Juice. Es una pequeña familia, entonces todo el mundo está dispuesto a ir más allá, a hacer crecer esta música. Cuanto más bandas de afrobeat haya en Francia que girarán, mejor esto será para esta música que merece ser conocida. Es abierta y no esta encadenada a las convenciones y pienso que es hacia eso que va a ir la música pronto, justo después de la desaparición del CD. [Nicolas Lhullier]
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